Livro: O amor nos tempos do ouro | Autor: Marina Carvalho | Lançamento: 2016 | Editora: Globo Alt | Páginas: 328 | Classificação do Skoob: 4,5 |
Onde comprar: AmazonSaraivaSubmarino | Avaliação: 5 Estrelas
*E-book do acervo pessoal

Olá pessoal!

A primeira resenha deste mês é de O amor nos tempos do ouro da Marina Carvalho publicado pela Globo Alt.
A história se inicia no ano de 1734. Cécile Lavigne vivia com sua família na França, mas um acidente acaba por matar seus pais e irmãos e ela se vê obrigada a mudar para o Brasil onde seu único parente vivo reside. Euzébio, irmão da mãe de Cécile, nunca simpatizou com o estilo de vida e a educação que seu cunhado e sua irmã davam para os filhos. Assim que ficou responsável por Cécile ordenou que ela desocupasse a casa em que vivia com a família em Marseille e tomasse um navio para o Brasil. Foram quase dois meses a bordo de um navio.
"As tradições portuguesas estavam enraizadas no espírito de Euzébio Bragança Queiroz. Para ele, mulheres nasciam para obedecer aos homens e representar seus poucos papéis na sociedade. Comportar-se adequadamente era um deles."
Não bastasse a obrigatoriedade da mudança de país aliada ao enorme sofrimento pela perda trágica de toda a família ela ainda sofreu mais um triste golpe da vida. Seu tio informou que Cécile iria se casar com Euclides de Andrade um viúvo que morava em Minas Gerais. Ela tenta fazer com que o tio mude de ideia mas Euzébio e Euclides fizeram um acordo benéfico apenas para os dois e por isso não mudará os planos por mais que a sobrinha suplique. 
"Sozinha, não restava a Cécile outra alternativa a não ser aceitar a decisão do tio, mesmo que, com isso, sentisse a alma mais morta - como se fosse possível ficar em um estado pior do que aquele em que já se encontrava."
Eis que então surge Fernão, um explorador que trabalha já há algum tempo fazendo certos "serviços" para Euclides. Desta vez ele fora contratado para levar a noiva do Rio de janeiro, onde seu tio reside, até a casa de Euclides em Minas Gerais. O primeiro contato entre Fernão e Cécile não foi muito amistoso. Ele já tinha uma opinião formada sobre a "francesinha" e tudo o que ele queria era entregá-la em segurança o mais rápido possível a seu noivo e assim se livrar desta tarefa.
"Acompanhar a viagem da futura noiva de Euclides, comparado a tudo o que já precisou fazer, era como distribuir doces a crianças. Talvez o único dissabor fosse a personalidade da moça. (...) Por ceto, a moça - uma fulana francesa cheia de modernidades na cabeça - só estava interessada na ascensão social promovida pelo vantajoso matrimônio. Fernão se enojava de pessoas assim."
Mas o caminho que eles teriam que percorrer era repleto de perigos. Cécile se mostrou mais resistente aos infortúnios encontrados nesta jornada do que Fernão poderia imaginar. Aos poucos eles se aproximam e percebem que haviam errado no julgamento que fizeram um do outro. Um sentimento parece brotar entre eles.
"O curioso era que adjetivos como sensível, frágil ou compassiva haviam sido apagados da imagem que Fernão vinha construindo sobre ela. A cada dia ao lado daquela mulher, desfaziam-se as primeiras (e não muito boas) impressões a seu respeito, uma a uma. E o explorador mal sabia como lidar com essas novas constatações."
Cécile implora para que Fernão não a entregue a seu futuro marido, mas ele cumpre fielmente a tarefa para qual foi contratado. Assim que chega à casa de Euclides o verdadeiro pesadelo de Cécile se inicia. Ele é um homem extremamente rigoroso e que não aceita o comportamento dela. O tratamento dispensado aos empregados da casa e escravos que trabalham nas minas de ouro também assustam e revoltam Cécile. 

Fernão decide ficar ainda alguns dias por perto para se certificar de que Cécile vai ficar bem na nova casa já que conhece a verdadeira natureza de Euclides. Mas Cécile não cede fácil às ordens de seu noivo e não acata algumas ordens, chegando ao ponto de ser trancada no quarto e impedida de comer. Fernão fica extremamente arrependido por não ter atendido ao pedido de não entregá-la a Euclides. Isso tudo aliado a sentimentos novos que ele tentou esconder mas não conseguiu. Agora Fernão precisa correr contra o relógio se quiser salvar Cécile. Mas ele não imagina que essa decisão afetará toda a sua vida profundamente, tanto o passado, quanto o presente e seu futuro.

Como já havia escrito no post de leituras do mês já conhecia o trabalho da Marina há algum tempo mas ainda não tinha lido nenhum livro. Assim que foi lançado o conto Ao gosto do Chef na Amazon não resisti e baixei no Kindle Unlimited. Gostei tanto que decidi finalmente ler os outros livros que ela já havia publicado. Comprei então o e-book de O amor nos tempos do ouro só que acabei demorando um pouquinho pra iniciar a leitura. Mas depois que comecei não consegui largar até terminar.

Que livro lindo! Como vocês sabem atualmente estou amando Romances de Época, e ter a oportunidade de ler um Romance Histórico que retrata de forma tão bem trabalhada uma parte vergonhosa da História do nosso país foi maravilhoso. No início do livro, Marina escreveu uma nota explicando como foi o trabalho de pesquisa para construir este livro e fiquei encantada com o dedicação empregada na tarefa. A maneira como o texto foi escrito nos faz entrar em contato com a História de nosso país de um modo muito mais prazeroso. Acredito que seria de grande ajuda se escolas adotassem esse livro. 

Cécile tinha tudo para ser uma jovem resignada depois de todas as perdas que sofreu e dos golpes que a vida lhe deu. Mas não, ela nunca desistiu de seus valores e do que aprendeu com seus pais. Já Fernão levava a vida conforme as cartas que tinha em mãos. Quando o destino trocou essas cartas ele também mudou seu comportamento e lutou por tudo o que julgava correto e justo. Foi lindo acompanhar o crescimento deles.

Mas ao livro conta também com outros personagens extremamente bem construídos e que desempenham função essencial na trama. Gostaria de destacar os escravos Hasan, Akin e Malikah que exercem grande influência na trajetória de Cécile e Fernão. 

Recentemente a autora compartilhou em sua página no Facebook uma nota sobre o segundo volume da série: "Malikah é, até agora, a protagonista mais visceral com que tive a honra de conviver ao longo de quase sete meses. Ela representa, do meu ponto  vista, a luta dos excluídos, de ontem e do presente, pela igualdade de tratamento, pelo respeito pela tolerância". Confesso que fiquei ainda mais ansiosa para ler o próximo livro que será lançado em agosto deste ano.

Quero parabenizar a Marina Carvalho pela iniciativa e pelo maravilhoso trabalho. Fico na torcida para que cada vez mais autores e autoras escrevam livros assim. Precisamos conhecer melhor nossa História para evitar que erros que já foram cometidos voltem a existir. Acredito que e a Literatura pode ajudar muito a mudar nesse sentido. Aprender é sempre mais fácil quando está aliado a uma atividade prazerosa como a leitura. 

Espero que tenham gostado da resenha, volto em breve com um novo post. Não deixem de participar do Top Comentarista.

Beijos,



9 Comentários

  1. Oi Thais, uma vez que comecei a ler romances de época não parei mais, e há tantos momentos da história pra visitarmos através dos romances. Marina, escreveu uma história cativante, que tem uma capa linda e protagonistas fortes e encantadores, além de nos apresentar esse período negro da história do nosso país, e penso que a continuação, que também vou querer ler, vai ser ainda mais intensa por termos uma protagonista escrava, negra... Fico feliz por ver que temos ótimas autoras por aqui também e esse livro é ótimo, gostei da resenha, tem uns meses que li e até relembrei algumas coisas através dela ;)

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    1. Que bom que gostou da resenha! Também fico muito feliz em saber que temos ótimos autoras e autores nacionais. Acredito que depende de nós leitores ajudar a divulgar o trabalho deles. Sempre tento fazer a minha parte.

      Beijos,

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  2. Amo romances de época e esse está com uma capa linda.
    Comecei já não gostando do tio dela, além dela ter que conviver com ele por obrigação tem que viver com um homem que acha que eles são superiores, são maiores que as mulheres? Além de claro, obrigar a sobrinha a casar com alguém, apesar que antigamente as mulheres casavam por dotes.
    Não li esse livro mas botei na minha lista, que lindooo, amei, sério, já estou até shippando Fernão com Cécile hahaha.
    Nunca tinha lido um romance de época que mistura o romance com acontecimentos passados, como a escravidão; costume ler Jane Austen e Julia Quinn e acho que para dar uma diferenciada nos romances esse seria um bom livro, com certeza lerei, bom saber também que a literatura brasileira está tomando cada vez mais espaço, espero que a autora consiga fazer muito sucesso pois já quero ler esse livro, parece incrível!

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    1. Também fico muito feliz ao ver cada vez mais autoras nacionais se destacando. Poder conhecer um pouco mais da História do nosso país através da literatura é uma experiência maravilhosa. Torço para que mais livros com fatos históricos aliados à ficção sejam publicados. Fico muito feliz que minha resenha tenha despertado seu interesse pelo livro da Marina Carvalho.

      Beijos,

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  3. Oi Thaís, tudo bem flor?
    Desde a primeira vez que tive um dos romances da Jane Austen em mãos que me apaixonei por romances de época. E quando temos um ambientado no nosso país, retratando costumes, modos e hierarquia de épocas passadas, a história passa a ser muito melhor.Eu imagino a situação em que nossa protagonista estava. Ser pré julgada antes mesmo de se darem ao luxo de conhecê-la, ter que lidar com toda dor da perda, e ainda por cima ficar a mercê de um noivo, que pelo que pareceu, não passa de um lixo ambulante, é muita coisa para lidar. Que bom que ela encontrou o Fernão em seu caminho - ou não haha. Pretendo ler a obra assim que possível.
    Beijokas
    Quanto Mais Livros Melhor

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    1. Um dos pontos que mais amei neste livro foi realmente a questão de retratar a nossa História. Quero muito ler o próximo livro!

      Beijos,

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  4. Thais, nunca li nenhum romance de época, os romances histórico que li foram apenas do Alencar, Machado, mas eles "praticamente" viviam nessa época, nunca tive nenhum contato com livros de escritores contemporâneos que abordam esse tema, mas devo dizer que me apaixonei pela história. O modo em como ela retratou todos os fatos, não fez o Fernão e a Cécilie se apaixonarem logo de cara e irem em busca do amor, ela criou todo aquele drama, o suspense, para deixar o leitor com o coração nas mãos, e pelo jeito ela também soube usar muito bem os personagens secundários, já que eles tiverem uma certa participação nessa linda história de amor.

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    1. Simplesmente lindo este livro! Leia assim que tiver a oportunidade você vai amar. Contando os dias para o lançamento do próximo livro.

      Beijos,

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  5. Oi!
    Quero muito ler esse livro, gosto muito da escrita da Marina Carvalho e estou bem curiosa para conferir esse romance de época da autora, vi que ela fez um grande trabalho de pesquisa para escrever essa história e adorei saber que terá mais um livro, esse livro está na minha lista de leitura !!

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